quinta-feira, 1 de maio de 2014

O NEGRO BRASILEIRO

     É como se todo negro fosse pobre, miserável e analfabeto. O pior é que os próprios negros assimilam esse tipo de imagem e discurso aceitando tudo isso como se fosse a coisa mais normal do mundo. Mas não é. Já quando se fala em dinheiro, família perfeita e abastada logo se coloca imagens de pessoas de outro cor. Tudo isso transmite uma mensagem, a mensagem de que tudo de mal e ruim pertence aos negros, sabemos que isso não é verdade, mas tem funcionado como se fosse. Muitos negros se dispõem a lutar por direitos dos negros, mas os negros já tem seus direitos assegurado pela constituição. Então, que direitos são esses por que lutam? Lutam por esmolas dizendo que é por direitos, eles próprios ainda não entenderam que esmolar não é conquistar e o tipo de conscientização que pregam não tem funcionado como se espera.
     É preciso sacudir geral, parar com essa estória de mãe Africa, que todo negro tem que ser do candomblé porque é tradição, que o ritmo musical dos negros é o samba... Porque o tempo que os negros mais tem destaque na televisão é em época de carnaval, mas uma parcela expressiva dos brasileiros gosta muito do carnaval, independente da cor da pele, região ou religião. Em tempo de carnaval se entrevista negro a torto e a direita, já no rock in rio ou lolapaloza as entrevistas mudam de cor; porque isso? Porque no Brasil hà uma divisão étnica racial sempre incentivada por palavras como (afro-descendente), (mãe Africa), (negro não é cor é raça) e outras por aí afora. Hora, há outros países no continente africano que não são majoritariamente negros e com certeza não se referem ao seu continente de origem como mãe Africa e nem se denominam afro-descendentes e muito menos se dizem ser de determinada raça. (Quem é classificado por raça são os animais). Creio eu, que quem primeiro classificou o negro como sendo de uma raça específica, foram os comerciantes de escravos, por achar os negros tão insignificantes que os comparavam com certos animais, comparação que infelizmente é feita até os dias de hoje. Por isso não aceito em hipótese alguma um negro se referir a sí mesmo por minha raça isso, minha raça aquilo, só é permitido o raçudo, essa palavra sim tem uma conotação totalmente diferente.
     E por que sou contra o tal mãe Africa? Sou contra por entender que negros nascidos no Brasil são brasileiros e o único laço com a Africa é a semelhante cor da pele e nada mais. O negro Brasileiro é diferente culturalmente, linguajarmente,  economicamente e religiosamente do negro africano.
     Não quero com isso desmerecer a luta de muitos por não se deixar esquecer os séculos de escravidão.
Mas esse tempo já passou e estamos no século 21. Se os judeus tivessem ficado chorando, esperando a boa vontade dos outros, esperando esmolas após os 400 anos de escravidão no Egito e após os anos de  holocausto sofrido na segunda guerra, boa parte deles ainda teriam seus direitos ceifados até hoje. Mas não foi isso oque aconteceu. Eles levantaram a cabeça, tocaram o barco e depois de um tempo se transformaram em pessoas prósperas e respeitadas. E se os japoneses tivessem ficado chorando e esperando reparação pela destruição de Hiroshima e Nagasaki? Muito pelo contrario, arregaçaram as mangas e deram a volta por cima.
     O que chama à atenção nesses dois casos é o fato de dois povos tão distintos superarem o passado sem esquece-lo. Se o negro de hoje ainda é discriminado é por que ainda não aprendeu a superar o passado sem esquece-lo, sem impor-se intelectual e financeiramente, Se assumir como cidadão capaz, por insistir em um discurso derrotista e retrógrado e por que ainda fica esperando as benécias do senhorio.
     O discurso de que o branco é culpado por todo o sofrimento no passado não funciona no Brasil. Não funciona porque o Brasil é um país multirracial, onde brancos e negros compartilham a mesma família, então o preconceito não é pela cor e sim pela condição social. Como eu já havia dito antes, o negro é sempre associado a pobreza. Então, quem são os preconceituosos? São os da elite, seja ele branco ou preto; prova disso é que negro rico dificilmente casa com negra e sim com brancas e loiras (de preferencia).
     Entendo que se use esse termo pelo fato dos escravizadores no passado serem todos brancos, mesmo alguns estudos apontarem que negros no continente africano, capturavam outros negros e os vendiam aos mercadores de escravos que eram todos europeus. Por isso sugiro trocar o termo escravizador branco por escravizador europeu. Porquê foram os europeus que acostumados a escravizar pessoas desde o império romano decidiram escravizar sociedades inteiras, considerado por eles, não civilizadas.
     No Estados Unidos, na Europa, no Japão e em países onde a divisão familiar por sangue e cor é bem mais definida do que no Brasil, é muito fácil discursar contra brancos. Mas como já disse antes, aqui no Brasil, onde o nosso sangue não é tão puro assim, onde há uma mistureba danada entre preto, branco, índio, europeu, japonês etc, etc, etc..., onde chamar um branco de racista é condenar um homem branco casado com mulher negra ou vice-versa ou pais brancos de filhos negros e vice-versa. Viu como no Brasil esse discurso não da muito certo?
     Outro dia participei de uma roda de discussão no NCN (núcleo de consciência negra (USP) onde uma das pessoas que compunham a mesa era um branca e tinha também outro rapaz que apesar do cabelo drad tava mais pra branco que pra preto. Porque aí sim, passando a chamar de escravizador o europeu, a dinâmica do discurso fica muito mais forte no Brasil e mais aceitável também.

domingo, 30 de março de 2014

10 Lugares onde as mulheres gostam de transar.


1648 mulheres contaram à Men´s Health em quais lugares elas preferem transar.
1º lugar: Cama
É simples, aposte no óbvio: a cama é um lugar confortável, prático e limpo (assim esperamos). Fique ligado em outra sacada que este resultado mostra: “Ainda há certo conservadorismo no comportamento sexual feminino. Ousar não é tão comum assim”, afirme Carla Cecarello, sexóloga de São Paulo e coordenadora do Ambulatório de Sexualidade (Ambsex), da Associação Brasileira de Sexualidade. Mas também tenha em mente que você pode mudar isso, com jogo de cintura e malícia no papo com a parceira.
2ºlugar: Chuveiro
A mulher se sente segura ao ficar totalmente nua ali. A água esconde aqueles defeitos que ela acha que tem no corpo. Mais: “O fato de não ter saída, como um lençol para se cobrir, também faz com que a garota se conforme e se solte bastante”, explica Carla. “Além disso, a água é relaxante e dá maior chance para fantasias eróticas pintarem na cabeça dela.” Abre espaço à ousadia.
3º lugar: Carro
É um lugar em que ela se permite se atrever mais. Sexo no carro tem levada selvagem. Excita também pela ideia de fazer algo arriscado e, por isso, em alta velocidade. Sim: é a pegada da rapidinha.
4º lugar: sofá (15% de votos)
5º lugar: em cima da mesa (11%)
6º lugar: chão da sala (9 %)
7º lugar: piscina e praia (6% cada)
8º lugar: escada de incêndio (4%)
9º lugar: banheiro da balada (3%)
10º lugar: mar, estacionamento e garagem (2% cada)
11º lugar: atrás da moita e barco (ambos com 1%)
Matéria publicada na Revista Men’s Health de janeiro de 2012.


domingo, 9 de março de 2014

As crianças

     Outro dia eu vi em uma emissora de televisão uma entrevista  com um pastor  que não vou citar o nome e a ele foi perguntado o que ele achava da adoção de crianças órfãs por galébitrans. Ele respondeu que não concordava por acreditar que casais de galébitrans não conseguiriam criar uma criança em toda a sua plenitude, ou seja, sem os exemplos de um pai e uma mãe e ressaltou que isso é uma atitude recente e que só saberíamos mesmo os resultados daqui a uns 20 ou 30 anos.
     Mas eu digo o que vai acontecer daqui a uns 20 ou 30 anos quando as crianças adotadas hoje estiverem em idade produtiva. Antes quero ressaltar o que já tem acontecido nos dias de hoje com jovens de casais normais separados. Penso eu que uma criança precisa de um homem e uma mulher para observar e aprender em como se relacionar com o sexo oposto. Porque a melhor forma de se educar é através do exemplo porque crianças são muito observadoras e aprendem tudo só observando o outro. Na família é onde uma criança aprende a se relacionar com outro semelhante seja esse semelhante do sexo masculino ou feminino, por isso sou terrivelmente contra ter um único filho. Crianças que são criadas só, quando crescem tendem a tornar-se adultos egoístas, egocêntricos e insensíveis,  Toda pessoa que pretende constituir família tem que ter em mente que um filho só, sofre muito.
     Somos seres sociáveis e precisamos estar em contato com semelhantes e criança gosta de brincar com criança. Se um casal tem um único filho e se propõe a dar 100% de atenção a esse filho achando que assim vai suprir a ausência de um irmão, estão completamente enganados. E sabe porque? Porque criança gosta e deve brincar com criança. Se você estiver a disposição de uma criança para brincar com ela do que ela quiser e fizer isso meses a fil, ela vai gostar. Mas se entre uma brincadeira e outra aparecer outra criança e você perguntar com quem ela vai querer brincar, sua criança não escolhera você, mesmo que a outra seja uma desconhecida.
     O que mais ouso de adultos filhos únicos é a falta que sentiam de um irmão pra brincar, Não adianta ter um monte de brinquedo se não tem com quem brincar. Quando duas pessoas resolvem ter filhos, ouve-se  sempre a mesma ladainha... 
* Quero um filho só, porque criança da muito trabalho.
* Quero no máximo 2 para poder dar uma boa educação a eles.
* Esse mundo ta muito perigoso para se ter filhos 
     E etc, etc, etc... Mas nota-se  que a preocupação na verdade não é com a criança e sim com sigo mesmo. Os adultos não querem ter trabalho, eles querem continuar investindo em si mesmos e no fundo acham que criança atrapalha as suas conquistas, em parte não estão errados, mas a partir do momento que se espera uma criança deve-se esquecer de si mesmo e se dedicar ao rebento. Para quem não sabe, duas crianças dão menos trabalho do que uma só, por que uma só, vai querer 100% da sua atenção mas se ela tiver um irmão sua atenção, na maioria das vezes só vai ser exigida na hora de resolver conflitos, por que criança briga o tempo todo e faz dos pais juízes. Mas é no convívio com irmãos que as crianças vão aprendendo a se relacionar, a dividir, a compartilhar, a brincar, a apoiar, a ajudar, a dar valor a família, a aprender o que é autoridade, a respeitar uma autoridade. E é na observação do modo como a mãe trata o pai que a menina aprende a se relacionar com os homens e é no modo como o pai trata a mãe que o menino aprende a se relacionar com as mulheres. Engana-se quem pensa que as crianças vão aprender essas coisas com a babá, na creche, na escolinha. O convívio com irmãos é muito mais produtivo do que o convívio com coleguinhas da creche ou da escolinha.
    Muitos jovens delinquentes hoje são frutos do descaso familiar de ontem onde os pais, na pressa de se livrar da responsabilidade de criar o filho, aceleraram seu desenvolvimento intelectual. na esperança de que a criança seja ainda adolescente, responsável, autônoma, capaz, auto-suficiente e super produtiva. Esses pais não se dão conta que mesmo a criança parecendo ser muito esperta, muito inteligente e muito intelectualizada, ainda é só uma criança. O adolescente nada mais é do que uma criança crescida achando que é adulto.Por isso, da mesma forma que se deve vigiar uma criancinha para ela não se destruir o mesmo deve-se fazer com os adolescentes. Não se deve dar muito crédito à psicólogos e pedagogos quando dizem que não se pode invadir a privacidade do adolescente ou que não se deve repreender uma criança energicamente, por que fora de casa, do convívio familiar, o adolescente terá sua intimidade invadida, sera repreendido energicamente. Temos que criar, educar, preparar e estimular as crianças para viverem fora de casa, mas até elas estarem prontas para saírem.

      A MENINA

     A menina, ao observar o comportamento do pai vai telo sempre como referência, principalmente quando ficar mocinha e começar a se interessar e se relacionar com os meninos. Ela pode até ter um irmão mais velho, mas será o pai sua eterna referência. E a mãe lhe servirá de exemplo, por que do jeito que a mãe tratar o pai, assim ela tratará os homens e da forma como o pai a trata assim ela esperará que outros homens a tratem. Então, observando o comportamento do pai, ela vai saber diferenciar um homem bom de um ruim. E observando o comportamento da mãe ela vai saber como lidar com ambos. Por isso é extremamente importante a presença dos pais (homem e mulher) na educação de uma criança. E quando falo de educação não me refiro a educação escolar e sim a educação familiar.  
     Agora imagine uma menina criada por um casal galébitran (mulher e mulher), como ela vai saber como lidar com os homens quando crescer? Com certeza ela não vai saber a diferença de um homem bom para um homem ruim e depois de ficar com dois ou três tranqueiras ela vai achar que as mulheres que a criaram optaram por viver juntas por que todo homem é igual e nenhum homem presta, vai achar que elas estão certas e finalmente vai acabar se relacionando com outra mulher. Ela não teve nenhum homem para observar. E por mais que o casal galébitran à ame muito e tenham se esforçado ou máximo para dar lê uma boa educação familiar, sempre haverá essa falta de um pai. 
     O mesmo vale para uma menina criada por dois homens, sem uma figura feminina para observar e tomar como exemplo a menina poderá tornar-se masculinizada mesmo seus pais galébitrans sendo bastante afeminados. 
     Como todo galébitran não usa a bíblia como referencia espiritual por que lá a prática galébitran é condenada, com certeza não passarão esse conhecimento para os adotados por eles, criando assim pessoas sem Deus, sem religião. Que mais tarde passarão este tipo de pensamento para os filhos Imagina se todos os galébitrans adotassem ao menos uma criança. Com certeza essa criança tornar-se-ia uma pessoa 
totalmente sem Deus..

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Segurança publica, você também é responsável.

     Tendo visto e lido sobre tanta violência, começo a pensar que a segurança publica é dever de todos nós. Em se tratando de violência contra a mulher (saco de pancada de muitos homens) acho que todas deveriam assim como os homens, se alistarem aos 18 anos, mas não para o serviço militar e sim para um curso de defesa pessoal. Com certeza se todas tivessem um curso assim a violência contra a mulher não teria esses nºs alarmantes que temos hoje.
Certa vez eu estava caminhando na rua com uma amiga e de repente aparece uma mulher gritando: - Pega, pegaaaaa... Ela se referia a uma outra moça que tinha acabado de roubar sua bolsa (em plena luz do dia) e saído correndo. Ela, a ladra, corria livremente no meio da rua e ninguém, absolutamente ninguém impediu a ladra de fugir, inclusive eu que fiquei só observando.Até pensei em bloqueá-la mas meu medo + o medo de uma amiga que me acompanhava me impediram de agir.
     As vezes, pessoas roubam de mãos vazias ou só, ou em dupla, ou em grupo e fazem isso em plena luz do dia ou em aglomerações a noite, como na virada cultural onde 5 pessoas ou mais cercam um individuo solitário(a) e numa pressão psicológica cheia de ameaças o forçam a entregar tênis, carteira, bolsa ou oque lhes interessar. Isso falando de assalto besta. Mas tem aqueles de extremo perigo em que o assaltante lhe aponta algum tipo de arma como arma de fogo, faca, estilete, boca de garrafa ou até seringa com sangue.
     Mas os assaltos se proliferam porque sabem que não à punição dura o suficiente para o assaltante, principalmente se o mesmo for menor de idade. Só que as pessoas não querem responsabilidades e sim ficar esperando por um super herói que nos salve desse mal, só que isso nunca vai acontecer como nos quadrinhos. O herói pode ser cada um de nós quando assumirmos uma atitude (tolerância zero) contra todo tipo de crime. Tem algumas atitudes que podemos tomar para ajudar a combater a criminalidade.
1º - Denuncie anonimamente a localização daquela biqueira perto de sua casa.
2º - Evite andar de moto sozinho.Chame alguns amigos para saírem e voltarem  juntos do trabalho, da escola, da balada. Um mínimo de 3 motos juntas ajuda e muito a evitar assaltos em semáforos e mesmo que isso aconteça, um dos amigos pode perseguir e derrubar a moto roubada. Se o ladrão estiver armado, dificilmente vai conseguir acertar algum tiro tendo que pilotar apavorado e atirar ao mesmo tempo. Preste atenção nos policiais de motos, sempre andam em duplas ou em grupos.
3º -   Ao presenciar um assalto não tenha medo de ajudar a vítima, perseguindo discretamente os assaltantes e avisando a polícia sobre a localização dos mesmos. Muitíssimos assaltos não tiveram final feliz graças as pessoas que não tiveram medo e tomaram essa atitude.
     Mas porque a polícia prende e a justiça logo solta? Porque as leis brasileiras não são duras o suficiente para pelo menos desencorajar futuros  bandidos. Acho que deveria ter pena de morte para bandido reincidente, porque assim, se o bandido cumprisse sua pena e votasse a criminalizar (e isso acontece muito) e voltasse para a prisão, comprovando o crime ele já estaria automaticamente no corredor da morte. Mas sabem porque um bandido sai da prisão e volta pro crime? Porque ele sabe que lá na prisão é uma colonia de férias e ele já sai instruído a criminalizar novamente para pagar a "proteção " que ele teve na prisão, se ele soubesse que  poderia morrer caso fosse condenado novamente com certeza ele pensaria 2 vezes antes de votar pro crime. Já sobre a menoridade penal, ainda não sei se sou contra ou a favor. Para um menor que se acha o bam, bam, bam e ainda tem a pachorra de dizer... : - Não vai dar em nada. Uma ótima punição seria que se constasse no atestado de antecedentes, pro resto da vida desse menor, o crime cometido. Assim como a nota baixa que tiramos na escola fica no histórico escolar por toda a nossa vida, assim também deveria ser o crime cometido por um menor.
     Temos que ter o pensamento de ajudar a polícia já que a mesma não da conta de conter a criminalidade que cresce dia após dia. Não adianta ficar reclamando, temos que agir, fazer nossa parte para vivermos num mundo melhor.
   
   

domingo, 2 de fevereiro de 2014

A representação social da mulher negra nos programas de TV: do estereótipo à sexualizaçã

Novembro Negro. Semana da Consciência Negra. Esse foi o advento que originou esse post. Esse texto é uma versão revista e ampliada de uma palestra proferida por mim no dia 13 de novembro de 2013,na abertura da Semana da Consciência Negra da Escola Municipal da P....


nega malucaAo ver a imagem acima, pergunto: Qual mulher negra ao ver essa imagem consegue se identificar, ou melhor, quantas de nós, mulheres negras, olhamos no espelho e nos vemos desse jeito?

Imagino que a resposta das mulheres pretas que lerão esse post será negativa. Não. Eu não me identifico com essa imagem. Ou, não. Eu não sou o que vejo na imagem. Pois bem, é com essa enquete que levantarei alguns pontos pertinentes à representação social da mulher negra nos programas da televisão brasileira. Para tanto, farei uma breve digressão ao nosso passado escravista, a fim de compor o cabedal teórico suficiente para coadunar os pontos do que será apresentado adiante.

O Brasil viveu mais de trezentos anos, mais precisamente, trezentos e cinquenta oito anos de regime escravista negroafricana. A historiografia nos diz que homens, mulheres e crianças foram sequestradas de várias regiões de África e trazidas para o Brasil, a fim de servir o sistema comercial e exploratório que a escravidão perpetuou.

Mulheres africanas que aqui aportaram vilmente tiveram sua força de trabalho explorada, sua cultura expropriada, e sua sexualidade abusada.

Para atender as necessidades do regime em que foram postas, negras escravizadas desde muito cedo foram forçadas a trabalhar para garantir o conforto das mulheres brancas portuguesas – sinhás –, lavando, passando, cozinhando, cuidando dos filhos e servindo de ganhadeira (escrava de ganho; executavam atividades remuneradas, e entregavam a...). E não somente isso, a escravizada também “servia” sexualmente ao seu senhor, que, por ser propriedade, era lhe dado o uso que fosse julgado conveniente, inclusive o de ser estuprada para satisfazer os impulsos sexuais dos senhores de engenho. E ainda há quem diga que as relações entre senhores brancos e escravizadas negras foram consensuais.

Para além da simples satisfação das taras sexuais dos senhores de engenho, dos filhos e dos cupinchas destes, muitas dessas mulheres eram engravidadas para gerar leite e servir de ama de leite aos filhos das sinhás, e seus filhos servirem de mão de obra escravizada para seu senhor. Ou seja, além de estupradas, seus filhos eram-lhe tirados do colo para servir de mercadoria, e produzir riqueza com sua força de trabalho. Ser escravizada a extrai do status de pessoa humana, e a condiciona ao papel social da bestial.

Ou seja, a violência sexual não era só uma questão de sadismo senhorial. Era uma prática inserida na ordem econômica da época.

Diante de todos esses destratos sociais pelos quais passavam as mulheres negras escravizadas durante os trezentos e cinquenta e oito anos de escravidão negroafricana no Brasil, o reforço à desintegração de sua identidade continua sendo veementemente incorporado no tecido da sociedade brasileira, e se ancora nas estruturas sociais que preconizam sua inferioridade.
No avançar dos anos, a concepção de mulher negra construída pela escravidão a confere toda sorte de desprezo e desmazelo estrutural. E por conta disso, toda sorte de preconceitos e discriminações nos são lançadas.

As heranças escravistas deixaram marcas tão densas quanto as marcas de ferro nos seus corpos que as identificavam com as iniciais dos nomes da família que pertenciam.

Deste modo, o preconceito contra a mulher negra a restringe aos porões sociais mais profundos, lhe dizendo que: sua força de trabalho é maior, e assim pode ser explorada (“as negras são fortes”); seu tipo físico não é o padrão ou o desejável, e suas características físicas se tornam motivo de piada, e então é degenerada; és produto de consumo, o que remete a imagem da mulher como fonte de sexo fácil.

Perante o exposto, a mulher negra ocupa o mais baixo nível da escala social. E isso se dá nos postos de trabalho, nas relações matrimoniais – prova disso é a clarividente escolha dos jogadores de futebol, não só eles, às mulheres brancas para constituir relação afetiva matrimonial –, nas peças publicitárias, nos programas de TV (ver A Negação do Brasil), nos espaços de poder, e tantos outros que seu acesso é restringido.

Pirâmide Social da Mulher Negra

É com base nesse espectro que as grandes mídias reorganizam esses destratos sociais, e aloja-os no mote dos estereótipos. Nessa linha, a representação social da mulher negra ampara-se no esteio dos resquícios escravistas presentes na nossa sociedade.

Nas peças publicitárias, isto se faz notório nas imagens abaixo:

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“É pelo corpo que se conhece a verdadeira negra”. Essa é a mensagem que a Brasil Kirin Indústria de Bebidas S.A., detentora do logotipo da cerveja Devassa nos diz. Que a mulher negra é identificada pela suntuosidade do seu corpo, que reiteradamente é remetida à fonte de sexo fácil.

A mulata faceira, que tem o molejo na cintura e exala o “cheiro exótico” para conquista de um bom homem.

As reminiscências do passado escravista vêm à tona numa peça publicitária de uma cerveja, o que nos mostra que a condição atual da mulher negra não sofreu um avanço positivo a ponto de reverter seu sentido representativo nos espaços públicos.

Sua sexualização se dá no sentido de conceder ao outro o direito de usufruir dos plenos poderes de usar e abusar do seu corpo como uma propriedade, e assim incidir nos pressupostos defendidos por Freyre (2006) quando definiu a serventia sexual da escravizada: (…) “Da que nos iniciou no amor físico e nos transmitiu, ao ranger da cama-de-vento, a primeira sensação completa de homem”.

Afinal de contas, como bem cantarolou Joaquim Silvério de Castro Barbosa, na marchinha de carnaval “O teu cabelo não nega”, sucesso do carnaval de 1932: “O teu cabelo não nega, mulata/Porque és mulata na cor/Mas como a cor não pega, mulata/Mulata eu quero o teu amor”.

Adiante, o grupo Bombril, numa campanha que visava “valorizar a mulher”, presenteou-nos com a peça “Mulheres que brilham”, e utilizou como imagem o estereótipo da mulher negra, e o seu cabelo crespo associado à lã de aço que vende no mercado.

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Tão acintosa quanto a peça publicitária é tirar-nos o direito de reconhecimento de nossa identidade para aceitação e construção da autoestima da mulher negra que é tão destruída.
Afrontar-nos de modo tão vil. Essa foi a intenção do grupo Bombril ao criar a peça num país que é o segundo maior consumidor de cosméticos do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos. Pois os padrões de beleza construídos aqui nos diz que temos de ser branca, ter cabelos lisos e sedosos. Tão logo, ter cabelo crespo não significa estar dentro do padrão de beleza exigido.

Mas não foi só esse grupo que afirmou isso num comercial. A marca Dove também deu suas tacadas na divulgação de mais um produto da sua linha de cosméticos amplamente comercializados no mundo.

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Na imagem exibida acima, a marca Dove afirma que seu produto detém o poder de deixar sua pele linda e macia. Na imagem uma mulher negra é utilizada para representar o antes, e a mulher branca o depois do produto. E no fundo da tela, duas superfícies que representam a pele antes e após o uso do produto (áspera e lisa).

Creio que não há forma mais explícita de subjugar a mulher negra como não-ideal, pois no sentido em que se toca, esta tem a pele áspera, escura e indesejável podendo ser comparada a uma lixa de construção. Em contraproposta, a mulher branca é símbolo da beleza ideal. Pele lisa, clara, quase um porcelanato de tão liso e espelhado que ele possa transparecer. Essa peça publicitária só contribui para reforçar a imagem da mulher negra como “antimusas da sociedade”, como disse Sueli Carneiro.

A ordem social que vigora não só infere, mas remete a todo o momento que a mulher negra está sujeita a qualquer valoração que lhe possa ser feita.

Sua condição de usufruto perpetua uma série de barbáries e atentados violentos, e isso nos mostra quão vil sua imagem foi incutida no imaginário popular, e tem ajudado a fomentar toda má sorte que lhe é lançada.

O desprezo, o despropósito e o descaso com que são tratadas as achacam no pré-sal da dignidade humana.

02Desfigurar suas características físicas, bem como debochá-las é um forma encontrada de não assegurar um poder de decisão sobre si. Pois uma mulher negra “não serve para casar”, está fadada a servir como stepsexual de homens incontrolados instintiva e sexualmente, e por isso tem que aceitar o que Deus lhe reservou, ou seja, qualquer um bem intencionado, ainda que não seja do seu agrado. O que vem a justificar os estupros, pois mulher negra (e feia) não tem escolha, tem sorte.
*          *         *
A imagem que segue abaixo compõe a seara do que tomamos como humor racista. Para tanto, me utilizarei dos programas de TV, que tem se constituído um solo fértil no que tange às construções negativas da mulher negra.

Julgo a imagem acima clássica por exibir Billy Van, personagem interpretado pelo “humorista” William H. West (1853-1902), um ícone norteamericano que representava o blackface nos espetáculos de Minstrel Show no início dos anos de 1900 nos EUA, associado a imagem de Rodrigo Sant’anna que representa a personagem Adelaide em 2013.

09Minstrel Show era um espetáculo realizado por companhias de teatro compostas exclusivamente por atores brancos que pintavam suas faces de preto e faziam todo tipo de deboche no palco para configurar a imagem do negro na sociedade americana. (Ver BamboozledImportado dos EUA, como quase tudo que consumimos na televisão brasileira, o blackface passa a ser encenado por Rodrigo Sant’anna em Adelaide, que se transfigura de mulher negra, descabelada, desdentada, suja e mal instruída.

Temos aí mais um reforço ao estereótipo negativo construído acerca da mulher negra no Brasil.

Adiante, temos a representação negra feminina como símbolo do exagero, da macaca de circo representada por Priscila Marinho, na personagem “gentilmente” apelidada de “Chocotona”, na novela Aquele Beijo, de autoria de Miguel Falabella (o mesmo que adorava esculachar os costumes da pobreza no Sai de Baixo através do seu alter-ego Caco Antibes), exibida pela Rede Globo nos idos de 2011/2012.

Em sequência, temos a negra servil, que se ajoelha e pede perdão e leva um tapa da sinhá, na cena que foi ao ar em 20 de novembro de 2010, em mais uma novela Global, Viver a Vida. Um tapa na cara do Movimento Negro, na data em que se comemora o Dia da Consciência Negra.

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Para além da ridicularização da mulher negra na figura da Chocotona, ou da servidão de Helena, interpretada por Taís Araújo, há também a hipersexualização da Globeleza, a mulata suntuosa de todos os carnavais que a emissora transmite. Ou ainda, as musas do carnaval exibidas no Caldeirão do Huck.

12.1
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O que me causa estranheza, é o fato de que mulheres negras antes tidas como antimusas, ganham notoriedade no carnaval e passam a ser musas, e tem sua sexualidade exacerbada pela mídia.

A TV brasileira, de fato, tem se especializado em arremessar a mulher negra nos mais improváveis valões sociais existentes, e concomitantemente reforça sua hipersexualização na figura da mulata rebolativa dos eventos carnavalescos.

Quem não se lembra do “Pi pi pi pi pi, olha o recalque!”, de Maria Vanúbia, interpretada por Roberta Rodrigues, na novela Salve Jorge, ano passado? A mulata faceira que tomava banho de sol na laje e fazia a alegria da vizinhança?

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As desfigurações da mulher negra nos espaços de mídia no Brasil se dão no mais amplo leque a que possa se estender o racismo sem ódio.

As nuances do racismo se fazem presentes em diversas plataformas de comunicação. E como diz que a vida imita a arte, a estrutura racial na qual está dividia o país não deixa de ser representada nos programas de TV, nas peças publicitárias ou qualquer outro espaço inserido no seio da sociedade, pois o racismo se perfaz do arcabouço sistêmico social – precedente histórico escravista – para agir de modo contundente e dissimulado.

Na imagem abaixo temos mais um reforço ao estereótipo negativo à mulher negra transfigurado em modelos que usam peruca de lã de aço num desfile de moda organizado por Ronaldo Fraga. O renomado estilista com a pretensão de fazer uma “singela” homenagem à cultura negra põe perucas de lã de aço nas modelos.

Devo pensar. Se ele queria mesmo homenagear a cultura negra, por que não fazer um desfile com temas da cultura negra ou com modelos exclusivamente negras? Fica a dúvida.

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Quem não se lembra da polêmica em torno da marca Cadiveu, que exibiu cartazes com fotos de pessoas de peruca black, e a seguinte frase: “Eu preciso de Cadiveu”?

Por que precisaríamos de Cadiveu para alisar nossos cabelos quando na verdade o que queremos é ser respeitada como somos: mulheres negras, de cabelos crespos e volumosos?

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Sueli CarneiroAté aqui foram elencadas uma série de situações envolvendo ataques à mulher negra. Seja quanto ao seu físico, ou até mesmo à sua sexualidade, e os fatores intrínsecos que acometem.

Mas devo dizer que na tentativa de contrariar o que é dito, algumas mulheres seguem na contramão do preconceito e mostram que é possível reverter o cenário atual no que tange a representação social da mulher negra.